Delio dos Santos


Delio dos Santos nasceu em 7 de outubro de 1924, na Piedade, bairro do subúrbio carioca, filho de Camillo Borges dos Santos Júnior e de Zaira da Silveira Santos.

Bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil, atual faculdade de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1947, no ano seguinte tornou-se advogado da Fundação Leão XIII, órgão responsável pelo atendimento à população carente do então Distrito Federal, iniciando longa carreira na instituição, que presidiria entre 1966 e 1970, durante o governo de Negrão de Lima.
Procurador regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) desde meados dos anos 1950, iniciou carreira política como candidato a deputado estadual nas eleições de novembro de 1974, pela legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Delio se elegeu deputado estadual - no MDB do Grupo dos Autênticos, participando na legenda da corrente dos Amaralistas, ligada a Amaral Peixoto, em oposição à dos parlamentares chaguistas, associados ao clientelismo político do governador Chagas Freitas. Em 1978, o Delio, com o apoio de presidentes e militantes de associações de moradores de favelas do Rio, intelectuais e artistas, entre eles Antonio Callado, Oscar Niemeyer e João Saldanha, foi eleito deputado federal, sempre pelo MDB Autêntico. Nas eleições de 78, Delio recebeu o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão, e do MR-8, entre outros grupos políticos. Em 1982, com Brizola, Darcy e Saturnino Braga, reelegeu-se deputado federal pela legenda do PDT. Participou da feitura da Constituição do novo estado do Rio de Janeiro, criado pela Lei Complementar no 20 (3/06/1974) e exerceu o mandato até janeiro de 1979.
Eleito em novembro de 1978 deputado federal pelo Rio de Janeiro, na legenda do MDB, assumiu sua cadeira na Câmara em fevereiro de 1979. Com a extinção do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a consequente reorganização partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB. Em maio de 1982, juntamente com o senador Saturnino Braga, por discordar da incorporação ao PMDB do Partido Popular (PP), liderado no Rio de Janeiro pelo governador Antônio de Pádua Chagas Freitas, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Ao longo deste mandato fez parte da Comissão do Interior.
Reeleito em novembro de 1982 pela legenda do PDT e com o apoio de Saturnino, iniciou o novo mandato em fevereiro do ano seguinte. Em 25 de abril de 1984 votou a favor da Emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República. Em setembro, afastou-se da Câmara dos Deputados, sucedendo a José Colagrossi e Jiulio Caruso na Secretaria Estadual de Transportes do governo Leonel Brizola (1983-1987), cargo no qual permaneceu pouco mais de dois meses. Sob alegação de falta de tempo, estafa e intenção de reassumir seu mandato parlamentar, em Brasília, pediu exoneração em 29 de novembro de 1984, sendo substituído por Brandão Monteiro.
No Colégio Eleitoral que se reuniu em 15 de janeiro de 1985, votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Doente, Tancredo Neves não chegou a ser empossado, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo o cargo interinamente, desde 15 de março deste ano.
Em 1986, Delio, no PDT de Darcy como candidato a governador do Rio, tentou voltar ao Rio se candidatando a deputado estadual. Porém, perdeu as eleições, apesar dos milhares de votos de fieis eleitores, numa corrida eleitoral marcada pela maciça votação do PMDB, beneficiado de Norte a Sul do país pelo êxito inicial do Plano Cruzado do governo Sarney, herdeiro político de Tancredo Neves, que aumentou o poder de compra da população com o congelamento de preços.
Delio dos Santos deixou a Câmara ao término da legislatura, em janeiro de 1987. Em fevereiro, desligou-se do PDT e afastou-se da política, dedicando-se à procuradoria do Senai e à advocacia, na Fundação Leão XIII, cargos dos quais se aposentou em 1993 e em 1994, respectivamente, passando a fornecer consultoria política.

Estava prestes a completar 96 anos. E lúcido, apesar das dificuldades físicas naturais da idade. Na sexta-feira passada (28/8/2020), chegou a tomar café e ler o jornal em sua residência em Copacabana, antes de ser internado numa unidade médica particular no bairro, de onde foi transferido para um hospital em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Lá ele faleceu vítima de pneumonia, no dia 1 de setembro de 2020. No hospital, Delio fez dois testes de Covid (PCR), ambos com resultado negativo. Delio foi casado desde 5 de julho de 1951 com a professora Consuelo Villela dos Santos (falecida em 2013) e deixou 3 filhos - Valéria Villela, socióloga e escritora, Marco Antônio Villela dos Santos, pesquisador social, e Gustavo Villela, jornalista, 6 netos e 6 bisnetos.

Compreender os propósitos de Deus muitas vezes pode ser uma tarefa bem difícil, principalmente quando a tristeza bate na nossa porta porque acabamos de perder um ente querido. Lágrimas passam pelos nossos olhos constantemente e o vazio da saudade aumenta o sofrimento severamente.
Hoje a saudade nos faz mais uma visita, mas não vem acompanhada da tristeza como protagonista. Com corações mais confortados, dedicaremos este dia para relembrar os bons momentos que foram compartilhados e como a presença de uma pessoa tão querida foi capaz de transformar tantas vidas abençoadas.

Nascimento 07/10/1924 ⭐
Falecimento 01/09/2020 ✝️

"Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor."
Romanos 14:

Inscrição
Notiticar
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments